sábado, julho 30, 2005

Assumir

Esconda-se, suma;
sem que se desfaça
o que sobre você
transborda.
A mentira
não tem som,
grita muda
no inconsciente.
Então não se perca;
suma!
Muda de endereço,
troca de casa,
aparta a briga...
...musa inspiradora
da força motriz
que te nivela.
Esconda-se, suma;
arranja um abrigo
que te vele
e no final de tudo
assuma
que não há esconderijo
que te cerre.

sexta-feira, julho 29, 2005

Lista [in]conclusiva e Fim do Colóquio

- Li Frankenstein;
- Não li Crime e Castigo como havia prometido;
- Li "Carta ao Pai" de Kafka;
- Li "O Encontro Marcado" do Fernando Sabino**;
- Fui ao Colóquio de Matemática;
- Fui ao Cristo Redentor [é, eu moro no Rio...];
- Ainda não li Ernest Heminghway;
- Estudei Matemática;
- Fui à fonoaudióloga [é...tenho que tratar mesmo];
- O Henrique não veio de São Paulo;
- Conseqüentemente não fui para São Paulo;
- O tempo passou moderadamente rápido, segunda as coisas retornam...

Fazendo um comentário que o Colóquio foi extremamente bom, incluindo o fato de que conheci um menino especial: o Conrado. Talvez ele leia isto, mas achei de suma importância o tornar medida relevante neste post, já que realmente nossa conversa foi muito legal; e, um dia ainda quero ler seus textos, hein! Não esqueça rapaz: não há sensibilidade que preserve a razão. Existe algo simplesmente especial naqueles que se entregam à emoção, mas como te falei, paga-se muito caro por tentar ser humano...
Meus beijos aos que ficam e até daqui a dois anos...

terça-feira, julho 26, 2005

C.o.l.ó.q.u.i.o de Matemática


Por esta semana estarei .

Quero comentar que quando vim para cá nesta segunda tomei o trem. Passei a observar os rostos que compunham aqueles vagões. Rostos tristes, muitos verdadeiramente dormiam, num hausto respiro de sossego. Corriam a trabalhar, e chamam isto de dignidade. Como esta vida é sórdida! O ser humano é imposto a uma condição que lhe é avessa: a de ser escravo dos outros. O ser humano escraviza. Gente. E assim, as pessoas labutam para que outros possam curtir a vida, para que milionários possam desfrutar de suítes e iates e apartamentos...pobre gente...

Ler "O Encontro Marcado" faz muito bem para a alma. Mais tarde resenha explicativa, porque este merece.

Se me quiserem, já sabem onde me encontrar.
p.s.: os pontos na palavra do título servem para evitar problemas com visitantes made in google.

quarta-feira, julho 20, 2005

Quem Sabe


Quem sabe
estou só.
Como uma ilha,
cercado de oceanos
por todos os lados
e o poente do sol
a aureolar minha sombra
no chãode terra.
É inverossímil
crer em solidão
com tantos astros,
tanta matéria ao redor;
com tanto sal no mar,
tantas nuvens
borradas no firmamento...
Quem sabe
a Deus devo um pedaço
da minha imensidão
e por ingratidão,
não faço mínima reza;
por estar mais perto
do céu
que meus próprios pés
do chão.
Quem sabe este
embuste criado
me faz o braço
desgarrar da mão...
e só assim,
distante de tudo
que está ao alcance
é que sinto de fato
o peso da palavra
solidão.

domingo, julho 17, 2005

Temor de Si

Te[i]mo, ó Deus,
por me tornar um destes
que tanto repudio.
Por olhar no espelho
e não ver Narciso,
mas tudo aquilo que desprezo.
Te[i]mo, ó Deus,
por me tornar um destes
que tanto critico;
e ver-me vítima
de meu próprio cadafalso
enganado por meus próprios
silogismos...

Porque te[i]mo, ó Deus,
ser eu mesmo.

sexta-feira, julho 15, 2005

Prisão


Será que é de fato fortaleza
estes muros e cercados?

Porque destruímos.
A porta aos pedaços;
não saímos.
Enclausurados.

O grito atravessa
a parede.
Lá fora
a vida explode.
Cá dentro.
Morte.

quinta-feira, julho 14, 2005

Gênese

No início era a indigência;
e da indigência, fez-se a vontade do reconhecimento.
Tal qual foi que, por engano,
peripécias estas que o inconsciente explica,
dei por divulgar o incógnito
que nunca quis ser conhecido.
Do conhecimento,
fez-se então, a necessidade
de ser reconhecido;
e desta, a necessidade
da aprovação;
dela, então, fez-se extinta
a espontaneidade da inspiração.

terça-feira, julho 12, 2005

Me vi Te Vendo

Eu fico impressionado como pessoas dedicam seus posts diários à propagação do nada. Vão, comentam sobre coisas toscas, sobre fatos estúpidos como o de um molequinho que gravou cenas de sexo com a namorada e pôs na internet. O que fica caracterizado como um "teste de fidelidade" que ontem fiz questão de ver uns 3 minutos pra ver que não passa de uma pura armação: como uma mulher que se preze conseguiria ficar assistindo aquilo sem esboçar nenhuma raiva além de um muito mal-fingido palavrão? Enfim, o fato é que as pessoas muito falam deste guri como o belo filho da puta que é, mas esquecem que essa menina também tem a culpa na história. Além de ter dado prum molequinho ridículo, ainda corroborou com um fato que estamos acostumados a ver, desculpando os termos: mulher do século atual só serve pra comer e comparar com a do vizinho. Não sei porque quando soube desta notícia imaginei o pai dele falando:

- Aê, filhão, mandou muito bem comendo aquela vaquinha.

O que, com os pais inexperientes de hoje, não parece muito longe da realidade.

Entrevista com Chico Buarque

Vale muito a pena ler a entrevista do Chico que está referenciada como

http://www.chicobuarque.com.br/texto/index.html

O que comentar sobre a entrevista?
Eu peço que você ponha nos comentários o que achou!

segunda-feira, julho 11, 2005

Férias

- Ler Frankenstein
- Tentar não ser crítico demais ao ler Nietzsche
- Ouvir muito Belle and Sebastian
- Cantar feliz no coral
- Estudar Matemática
- Ler Crime e Castigo
- Ler Ernest Hemingway pra devolver o livro pra minha amiga
- Escrever se tiver inspiração
- Viver se não tiver...
- Voltar a malhar
- Voltar ao curso de Francês
- Começar Russo
- Esperar o Henrique chegar de São Paulo
- Ir depois para São Paulo
- Ir ao cinema
- Ligar para rever os melhores amigos
- Ir ao festival de cinema do Rio
- Ir ao cine-cachaça
- Ter bastantes momentos amargos para que o tempo passe bem devagar

sexta-feira, julho 08, 2005

Sobre o Atentado em Londres

Fui noticiado por minha mãe sobre o atentado na manhã de quinta-feira, quando ainda levantava do meu súbito sono. Hoje a notícia estava impressa em páginas de luto e letras garrafais na primeira página do jornal. Por um momento, ouvi minha mãe possessa a profanar:

- Que não aconteca no Brasil! Esses desgracados que querem paz, mas só fazem a guerra.
- É, como disse Caetano, o poder da grana que ergue e destrói coisas belas - redargui.

Por final, fiquei remetido a um triste pensamento sobre a humanidade e de como fomos nós mesmos os grandes protagonistas desta manchete. Afinal, nós inventamos a escravidão, nós inventamos a destruicão, nós inventamos a diferenca; e agora, como criancas imberbes, choramos e culpamos alguém, mas não nós mesmos, pela triste tragédia na qual o muno se embebeda. Tudo de bonito nunca saiu do papel. Democracia, justica, igualdade, são todos conceitos feéricos inventados por filósofos que sabiam, a priori, que nunca se tornariam verdades. São perfeitos demais para o ser corrupto que chamamos de humano. O ser humano, na realidade, deveria se chamar "ser desumano", pois nunca vi caráter mais destrutivo em qualquer outra coisa. Dias atrás, eu vi um filme chamado "A guerra dos mundos". O filme é uma bosta, mas me fez pensar sobre o quanto nós mesmos temos consciência da nossa corrupcão. Os ET's, que nunca vimos, nem sabemos como são, chegam e destroem tudo, assim, sem motivo nenhum. Mas isto não é coisa de ET, isto é coisa de ser humano. Na realidade, nossos cinematográficos extraterrestres nada mais são do que uma projecão de nós mesmos. Vemos por aí o homem que quer expandir sua fronteira a qualquer custo, procurando no espaco as respostas para sua própria existência...às vezes fico triste por pensar que o homem vai tão longe para decifrar sua essência e um dia descobrirá que esta sempre esteve ao alcance das mãos e nunca residiu tão mais longe do que alguns metros...

Olhando para aquele jornal, perguntava docilmente à minha ilusão sobre a verdade. Será que aquilo impresso era a absoluta? Muitas vezes penso que nunca existiu um Osama Bin Laden, tampouco uma al qaeda...que tudo na realidade não passa de uma farsa dos poderosos para manipular o povo e incrustar nele o medo para que no fim das contas, a única e verdadeira raca "ariana" prevaleca sobre as demais...a verdade? Ninguém saberá. Viveremos como escravos da mentira por longos tempos, até sermos jogados para debaixo do tapete, como poeira velha, arrastada por uma vassoura de uma dona de casa.

terça-feira, julho 05, 2005

P[r]o[em][s]a

A mulher,
já atravessada ao lado
oposto da rua,
de viés encarava
o homem
que vendia miçangas.
Belo e nítido.
Constrastava com a alma opaca de seu marido. Nunca comprara porcarias na rua; mas se viu, daquela vez única,terrivelmente enfeitiçada por uma bonequinha de pano, bem mal feita, jogada ao desinteresse popular. Havia naquelacena bem mais que um simples afeto materialista. Estava pasma e intacta a tentar encontrar os olhos do sereno ambulante.
A mulher,
tão absorta,
já sem sentidos feéricos
que a levassem a crer
que não se passava
de um encanto momentâneo,
reatravessou a rua
com os passos embolados
tropeçando nos sonhos nunca acreditados.
Ofegante, ela recobrou-se no exato momento em que dispendia de sua carteira a exata quantia para comprar a boneca. O homem agora, lhe parecia rude. Os olhos cerâmicos, antes moldados à fantasia próspera, pareciam ter tomado a cor cinza e sua beleza lhe parecia entediante. Reatravessou a rua.
A mulher,
que sofria de ilusão,
perdeu-se definitivamente
do amor.

Compulsivo

Além de não conseguir ficar em casa nem pra estudar, eu tenho que sair dela pra poder me concentrar em certas coisas. E procuro concentração no lugar menos esperado, que é o shopping. Podem rir. Eu pauso.

Não bastasse somente esta desfiguração do pensamento, eu me dou bem estudando Matemática no meio daquele caos...a agitação ajuda a controlar o fluxo desenfreado dos pensares, pelo menos dos meus.

A conclusão é que saí de lá com um livro, um gosto de mate com guaraná na boca e uma puta disposição pra continuar escrevendo e estudando. Aliás, acho que amanhã eu dou um pulinho no aeroporto também.

segunda-feira, julho 04, 2005

Curas

O Papa vai ser beatificado. O processo corre rápido após a descoberta de uma mulher que andou, desacreditada até então pelos médicos. Na realidade, ela que merecia a beatificação de uma certa forma. Acho que se existe um Deus que saberia que os seres humanos teriam doenças, teria posto neles mesmos a cura para elas...e seria até ridículo dizer, para todos os leitores, que esta cura está exatamente naquilo que Deus sempre quis que os seres criados nunca se afastassem: a fé.

Parto de uma premissa, e tiro as conclusões...

sexta-feira, julho 01, 2005

Notícia

Na manhã de quatro de Abril, quando a dona G., de uns trinta e poucos anos, moradora do apartamento quatrocentos e dois, até então muito conhecida pela sua adorada filhinha de quatro anos, muito sorridente e divertida, teve o ímpeto de, por motivos intestinais, defecar em pleno elevador, quando estava só, abstendo-se de toda sua moral e pudor, ato que lhe trouxera o conhecimento de todos os condôminos daquele edifício. O dia fora então, um sucessivo amontoado de desgostos, até que seu V., morador vizinho do apartamento quatrocentos e um decidiu ligar para a inspeção sanitária, para informar-lhes de tal ocorrência. Não bastasse o fato da montoada de sujeira que se acumulou no elevador devido aos detritos e as tão comentadas fezes da dona G., muitas pessoas sentiram-se tão nauseadas ao chegarem perto do elevador que preferiam subir de escada, e, os poucos que se aventuravam a abrir a porta, acabaram por vomitar no piso, alegando o fétido horror que lhes provocava ânsia de vômito incontrolável. Dona G., que por estas horas estava no seu trabalho, no edifício Central, na Avenida Rio Branco, mal desconfiava do terrível embaraço que passava pela voz dos outros condôminos quando muitos abriam a porta do hall principal e bradavam, em suas próprias gentilezas ou indelicadezas reclamações acerca do terrível fedor que tomava parte do local. Dona B., do trezentos e dois, tão esmerada em sua educação fina, usou quase todos os vocábulos que um dia aprendeu em sua extensa vida para dizer o que dona A., do quinhentos e seis disse em apenas quatro palavras, na sua própria ignorância: "Que cheiro de merda!". No final das contas, o homem da inspeção sanitária apareceu e puniu o prédio por má conduta social e por falta de medidas higiênicas, não só ligadas ao fato do elevador, mas também, pelas más condições do hall, algumas infiltrações de canos antigos e alguns focos de insetos, como baratas e ratos. Após o triste infortúnio, dona G. decidiu mudar de prédio, pois a notícia se espalhara rápido entre os condôminos e todos deixavam bilhetinhos ameaçadores ou gozadores na porta do apartamento quatrocentos e dois; não por isso e além mais, ninguém saberia do triste fato não fosse o porteiro do prédio desconfiar da estranha demora do elevador para se deslocar do quarto para o andar térreo. Mas ele, nesta tarde, tinha uma terrível coriza que lhe afetava o sentido dos cheiros, daí, não pôde perceber nada, até que alguém lhe tentasse chamar, o que de fato demorou tempo demais e o homem da inspeção sanitária já havia chegado para desarmar a tragédia. O episódio ficou conhecido então, como a "merda indigente", uma forma evasiva de fazer pouco da desgraça de terceiros, outros também, que são beatos da igreja de Nossa Senhora, que fica na esquina da rua, já alegaram ter visto algumas almas penadas no edifício e atribuem a eles a culpa do aparecimento das fezes no elevador, já que dona G., a suspeita número um do ato, nunca de fato se acusou.